Associação 64/68 Anistia
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Sobre a Ditadura Militar no Ceará

Há 45 anos o presidente João Goulart foi deposto e o Brasil passou a ser gerido a partir de uma Ditadura Militar. Os detalhes estão presentes na bibliografia no país, mas uma divergência ainda paira entre as testemunhas da época: alguns tratam o Movimento como uma Revolução e outros definem o momento como o Golpe de 64.

Até hoje ainda existem discórdias quanto a época, já que militares têm o período como uma Revolução e todos os torturados e presos políticos que sofreram são unânimes em afirmar: “Foi um golpe dos mais violentos”, como disse o deputado federal Chico Lopes (PCdoB).

A maioria dos livros didáticos de História do Brasil trata o Movimento de 1964 como o Golpe Militar que destronou a democracia do país empossando militares no comando da nação. O enfoque desagrada a militares que vivenciaram a época: “Eles [os livros] tratam assim para encobrir a verdade”, destacou o general de Divisão Reformado do Exército, Francisco Batista Torres de Melo.

O irmão do General, o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), José Ramos Torres de Melo, que também foi militar na época, também lamentou o fato dos livros tratarem como Golpe aquilo, que segundo ele, representou um contragolpe. “A estrutura militar estava sendo quebrada pelo presidente e ministros e felizmente tivemos um movimento que pôs fim na desordem”, ressaltou.

Chico Lopes também foi testemunha ocular do Movimento de 1964 e por isso se contrapôs ao que disseram os irmãos Torres de Melo. Chico foi preso político na época e, segundo o comunista, sofreu os horrores da Ditadura. “Foi um golpe dos mais violentos, os livros estão certos. Se fosse uma revolução os dois lados teriam tido armas”, protestou Chico.

Na época em que foi preso, em 1973 na Casa dos Horrores, o deputado Chico Lopes, era membro do PCdoB e funcionários da Prefeitura de Fortaleza. No ano passado, o parlamentar foi um dos anistiados políticos – que sofreram tortura militar em dependências administrativas do Ceará – indenizado pelo Governo do Estado.

Para o deputado federal Mauro Benevides (PMDB) – que fez parte do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), hoje PMDB – o Movimento de 1964 significou o “cerceamento da liberdade e direitos”, todavia, o parlamentar fez questão de admitir que, quando instalado no país, o movimento tinha caráter “restaurador”, o que não pode ser levado à frente por conta da instauração do Ato Institucional número cinco (AI-5). “O AI-5, porém, foi algo que impediu [a volta à normalidade] e o plano castelista de redemocratização em menor tempo por ele prometido vezes seguidas”, disse Benevides.

Cearenses que lutaram contra a ditadura revelam detalhes do período

http://www.jangadeiroonline.com.br/ - Um período marcante, com certeza, é a ditadura militar. Época de censura e forte repressão. Em todo o Brasil pessoas foram torturadas. No Ceará, quem viveu os anos de chumbo lembra com dor de cada momento.